A pedagogia afetiva no âmbito escolar

Um dos maiores problemas da educação no Brasil é a falta de vínculo entre o professor e aluno no processo de aprendizagem – e é para esse problema que a pedagogia afetiva traz solução. A importância desse vínculo é defendida por autores como o psicólogo Jean Piaget, que liga construções afetivas e cognitivas, geradoras dos sentimentos de carinho, ternura, obediência e reações. A afetividade e inteligência caminham juntas para definir as interações, afetam o “eu” e como esse eu entende os outros.

Até os 2 anos, as emoções dos pequenos nascem do contato com a mãe, centradas no corpo do indivíduo. A criança ainda está aprendendo a entender o mundo e se assusta com tantas mensagens. Na medida em que o lar a protege e seu corpo ganha crescimento, a vida afetiva também se descentraliza, englobando as outras pessoas. A intensidade do carinho recebido influenciará em como o pequeno encara as frustrações, o amor, as mudanças, o respeito e a sociedade. Ou seja, em sua inteligência emocional. É entendendo essa importância que surge o termo pedagogia afetiva.

Já falamos aqui sobre a importância da família em sua conexão com a escola. Agora, vamos conversar sobre a importância da pedagogia afetiva utilizada tanto em sala de aula quanto no convívio familiar.

A pedagogia afetiva

Primeiramente, o afeto é parte inerente do ser humano, dentro ou fora da sala de aula. O grande desafio é transformá-lo em ação. A pedagogia afetiva propõe unir a escola ao que é humano, possibilitando ao educador ampliar sua visão sobre os alunos. Assim, respeitamos seus valores, individualidade e conhecimentos já existentes. A pedagogia afetiva, na realidade, contém uma proposta mais personalizada e estreita da aprendizagem que mantém a figura de autoridade do docente. Entretanto, traz proximidade a quem o aluno é, entendendo que o processo de aprendizagem também inclui emoções, características e potenciais únicos de quem está aprendendo.

Afinal, hoje é comum as lembranças nos trazerem aquele professor que nos marcou nos nossos anos escolares, a diretora que era paciente e firme, os coleguinhas e nossas brincadeiras e vivências. A escola está cheia de emoções interligadas, mas nem sempre é fácil compreender a pedagogia afetiva, pois, no decorrer da história, não foi concebido o afeto como intencional na sala de aula.

A pedagogia afetiva ao longo da história

Atualmente, a discussão sobre afeto na escola ganhou tópicos relevantes. Muitos fatores foram motivadores: ausência parental e isolamento que aumenta a carência infantil, uso constante da tecnologia que distancia pessoas, violência e insegurança nas ruas, indisciplina juvenil, etc. Em muitas cidades, a escola é o único lugar em que a criança pode brincar livremente e conviver em paz com outras de sua idade.

A compreensão da importância da pedagogia afetiva é tanta que a educação socioemocional é parte essencial do ensino na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tornando a aprendizagem mais agradável e significativa.

Dessa forma, abordagens que veem o aluno de forma mais pessoal e humana passaram a ser cada vez mais necessárias, mas ainda não são costumeiras. Durante a história, a educação ocidental define conhecimento como algo técnico, limitando o professor a transmissor de conteúdo, sem levar em conta a interação. É necessário ainda muito exercício para que a Pedagogia Afetiva seja praticada inteiramente.

Como exercitamos a pedagogia afetiva?

O aluno não é o único beneficiado com a abordagem afetiva. Nós, professores, sentimos muitas vezes frustração quando a reflexão passada não conseguiu encontrar solo para crescer. A sensibilidade trazida por uma educação mais próxima cria caminhos mais nutridos e suscetíveis ao conhecimento.

Além da troca pessoal, nós, como Colégio Elo, prezamos por uma estrutura física que auxilie tanto os professores quanto funcionários e gestores. Também mantemos condições ideais de sala que não permitam passar barulho, bem como cores e texturas afetivas e de acordo com as etapas educativas.

Quando a criança ainda é pequena, o contato é mais valorizado e fácil. Como Instituição, compreendamos que é importante não ter apenas cuidados automáticos e inconscientes – mas, desde o Ensino Infantil, trazer interações entendendo que todas são importantes para o desenvolvimento dos pequenos.

Além da primeira infância

Quando chegam o Fundamental I, II e o Ensino Médio, a educação traz cunho mais profissional. Nem por isso a Educação Afetiva deixa de ser importante, pois é nesse momento que o adolescente está em sua fase de mudança e também precisa da nossa proximidade e atenção. Por isso, adotamos uma prática pedagógica motivadora, que envolve educadores e estudantes, despertando a paixão pelo aprendizado e a qualidade social e emocional dentro da prática científica.

Para trazer essa conexão, apostamos em conteúdos ligados aos projetos de vida dos nossos jovens. Alimentamos o pensamento autônomo, a construção da própria identidade e a consciência crítica. Debates, conversas e materiais que estejam conectados ao contexto de vida da turminha são muito importantes para que se sintam inteirados ao mundo e ao local de ensino. Os professores Elo compreendem que são agentes de estímulo: parabenizando, trazendo reflexões e preparando os alunos para os cenários que a vida trará, gerando confiança. Embora saibamos, claro, que o carinho na escola jamais possa substituir o amor parental, cabe aos adultos, pais e educadores, assegurar um ambiente seguro e pleno em afeto para que as crianças cresçam e aprendam.

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